26 de agosto de 2015

Sistema

Laços que não se desfazem
A energia permanece...
Aprisiona a vida de recomeços
E nada funciona.
O ideal não ocorre
Porque é o ideal.
E vejo todos rodarem
E rodam, rodam
Rodopeiam.
Minha mente se inclina ao mesmo
Mas eu não me permito,
Não me deixo ser engolida,
Por essa coisa chamada
Sistema, adjetivo Capitalista.

Foto por: Eliara Freitas

Capital

Como ratinhos de laboratório: em uma jaula que poucos se arriscam a atravessar. Como ovelhas: em um caminho que poucos se arriscam a desviar.. voltar atrás. Essa é a vida nas grandes cidades do capitalismo, a grande chaga. O capitalismo é uma doença com a mesma propriedade do Ácido Sulfúrico. Corrói, destrói, envergonha os atingidos, causa ódio e sofrimento. Essa doença é selvagem, sem rédeas, limites. Da mais inocente criança ao idoso demente, todos sofrem, pois é um grande sistema que a todos acorrenta. Como uma patologia, possui um culpado. Seu nome é dinheiro. E por que todo esse discurso contra esse macrossistema ocidental (e cada vez mais oriental) que domina o planeta Terra? Porque ele conseguiu dilacerar o amor. Fuzilar a sabedoria. Calar a liberdade da alma. A escola tem sido um erro imenso, fechando a boca dos alunos, transformando-os em normais como eu sou. Vinte anos depois sou uma igual. Uma formiga. E todo potencial infantil foi destroçado por essa sociedade doentia que cresci, que todos crescem. Toda biodiversidade de pensamento foi posta fora, pelos adultos e idosos que foram nossos professores, nossos pais. Que repreenderam nossas dúvidas, mentiram quando estávamos com medo e subestimaram nossa inteligência pura. Porque os pais deles o fizeram. Eu imagino que a grande maioria dos adultos de hoje que realmente vivem uma felicidade plena são aqueles da Geração Beat, do movimento Hippie ou de qualquer vertente que buscasse valorizar os sentimentos, o amor, o sexo. Estudar o orgasmo! É mais importante aprender Matemática do que estudar o que nos dá a vida? É. Doentes de falta, excesso, uso errado do sexo. Todos, tudo. A vida gira em torno de dinheiro. Ele poderia ser um dos motivos de acordar todos os dias cedo, mas ele é o principal. Não mintam para si mesmos. Ele é o lixo que alguma civilização ingênua inventou no passado, com intenção de facilitar. Porém, sempre há o corrupto, oportunista, ganancioso que estraga tudo, que rouba, mata pessoas e destrói o que puder para ter mais capital. Enfim, estamos envenenados. E a solução que vejo, ao menos para mim, é respirar o ar da natureza, absorver a energia da terra e da água. Amar sem limites, ignorar os padrões de beleza ridículos, ser feliz com saúde, com tempo, com piscar de olhos mais lentos. Não aceito, sou uma mimada ao extremo. É porque me amo, é porque quero o melhor. E por isso corto as algemas todos os dias, reflito, volto pra casa com dúvidas e tento ser melhor, me perdoando, me amando. Talvez não aceitar o que nos é imposto não é ser mimado, e sim corajoso!


Foto por: Eliara Freitas