18 de dezembro de 2015

Vida

A vida é longa.      No início de tudo
parece que ela nunca vai acabar.

Que ainda falta   muito!

                            E falta.
Mas esse muito acaba.
      Por bem,
       por mal,
        pelo bem do mal
         pelo mal do bem.

A vida vai.        Nós vamos. Tudo vai.
Mas o amor fica. Em quem ficou.

A saudade se fixa.  O cheiro começa a fazer ..

                 parte.

O andar mutila o coração.   A tristeza abre
a ferida da dor.

          A dor que fere. A mágoa cresce.

Lembranças surgem.
 Palavras surgem.
  Olhares surgem.
                       O vento

faz lembrar do toque.  E a alma paira.

     Até, novamente cair.

09/07/2010

Foto por: Eliara Freitas

Dor

Eu respiro o Carbono,
Atirada no anseio do pranto.
Boca seca e olhos no embaço
Vejo o globo se desenhar ao compasso.

A joia dormindo no leito
E o traje chorando ao vento
Aqui jaz o corpo finito
Dotado de alma e grito.

A vespertina hora se acanha
E o gosto desperta da morte
Pela noite bela que chega forte
Em seu lençol e sanha.

17/11/2012


Foto por: Eliara Freitas

26 de agosto de 2015

Sistema

Laços que não se desfazem
A energia permanece...
Aprisiona a vida de recomeços
E nada funciona.
O ideal não ocorre
Porque é o ideal.
E vejo todos rodarem
E rodam, rodam
Rodopeiam.
Minha mente se inclina ao mesmo
Mas eu não me permito,
Não me deixo ser engolida,
Por essa coisa chamada
Sistema, adjetivo Capitalista.

Foto por: Eliara Freitas

Capital

Como ratinhos de laboratório: em uma jaula que poucos se arriscam a atravessar. Como ovelhas: em um caminho que poucos se arriscam a desviar.. voltar atrás. Essa é a vida nas grandes cidades do capitalismo, a grande chaga. O capitalismo é uma doença com a mesma propriedade do Ácido Sulfúrico. Corrói, destrói, envergonha os atingidos, causa ódio e sofrimento. Essa doença é selvagem, sem rédeas, limites. Da mais inocente criança ao idoso demente, todos sofrem, pois é um grande sistema que a todos acorrenta. Como uma patologia, possui um culpado. Seu nome é dinheiro. E por que todo esse discurso contra esse macrossistema ocidental (e cada vez mais oriental) que domina o planeta Terra? Porque ele conseguiu dilacerar o amor. Fuzilar a sabedoria. Calar a liberdade da alma. A escola tem sido um erro imenso, fechando a boca dos alunos, transformando-os em normais como eu sou. Vinte anos depois sou uma igual. Uma formiga. E todo potencial infantil foi destroçado por essa sociedade doentia que cresci, que todos crescem. Toda biodiversidade de pensamento foi posta fora, pelos adultos e idosos que foram nossos professores, nossos pais. Que repreenderam nossas dúvidas, mentiram quando estávamos com medo e subestimaram nossa inteligência pura. Porque os pais deles o fizeram. Eu imagino que a grande maioria dos adultos de hoje que realmente vivem uma felicidade plena são aqueles da Geração Beat, do movimento Hippie ou de qualquer vertente que buscasse valorizar os sentimentos, o amor, o sexo. Estudar o orgasmo! É mais importante aprender Matemática do que estudar o que nos dá a vida? É. Doentes de falta, excesso, uso errado do sexo. Todos, tudo. A vida gira em torno de dinheiro. Ele poderia ser um dos motivos de acordar todos os dias cedo, mas ele é o principal. Não mintam para si mesmos. Ele é o lixo que alguma civilização ingênua inventou no passado, com intenção de facilitar. Porém, sempre há o corrupto, oportunista, ganancioso que estraga tudo, que rouba, mata pessoas e destrói o que puder para ter mais capital. Enfim, estamos envenenados. E a solução que vejo, ao menos para mim, é respirar o ar da natureza, absorver a energia da terra e da água. Amar sem limites, ignorar os padrões de beleza ridículos, ser feliz com saúde, com tempo, com piscar de olhos mais lentos. Não aceito, sou uma mimada ao extremo. É porque me amo, é porque quero o melhor. E por isso corto as algemas todos os dias, reflito, volto pra casa com dúvidas e tento ser melhor, me perdoando, me amando. Talvez não aceitar o que nos é imposto não é ser mimado, e sim corajoso!


Foto por: Eliara Freitas

4 de abril de 2015

Não se acostume

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário. 
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas. 
Se achar que precisa voltar, volte! 
Se perceber que precisa seguir, siga! 
Se estiver tudo errado, comece novamente. 
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a. 
Se perder um amor, não se perca! 
Se o achar, segure-o!

                                                                    Fernando Pessoa

Foto por: Eliara Freitas